Dança que Transforma: O impacto das aulas de dança gratuitas oferecidas pela prefeitura em Serafina Corrêa

A dança pode ser muito mais do que uma expressão artística: pode ser acolhimento, conexão e até cura emocional. 

A professora Bianca Carrard, que oferece aulas de dança gratuitas em Serafina Corrêa e São Domingos do Sul, compartilhou com a gente como começou esse projeto e como ele vem mudando vidas por onde passa, confira:

Como surgiu a ideia de oferecer aulas de dança gratuitas?
Bianca contou que tudo começou quando ela ainda estava no segundo semestre da faculdade de Educação Física. Ela começou a trabalhar com atividades físicas para a terceira idade em São Domingos, por volta de 2016 ou 2017. Lá, percebeu que se identificava mais com a parte rítmica do que com os exercícios tradicionais. Com o tempo, a dança foi entrando nas suas aulas de forma natural. Mais tarde, quando houve uma licitação para professor de dança em Serafina Corrêa, ela participou e venceu — e desde então vem levando ritmo e alegria para diferentes públicos.

Qual é o objetivo principal dessas aulas?
Segundo a professora, a dança faz parte do Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, oferecido pelo CRAS (Centro de Referência da Assistência Social). O principal objetivo é aproximar as pessoas da comunidade, criar vínculos e oferecer uma atividade saudável, que vai além do entretenimento.

Há quanto tempo você dá essas aulas?
Bianca oferece aulas desde 2016 em São Domingos e desde 2023 em Serafina Corrêa.

Como foi a recepção da comunidade?
“Foi muito boa”, diz ela. No começo, a adesão foi tímida, mas em apenas dois meses o número de participantes passou de 200.

Quais estilos de dança são ensinados?
Bianca explica que o foco não é formar dançarinos profissionais, mas proporcionar um espaço de convívio e bem-estar. Apesar disso, são ensinadas coreografias que, inclusive, são apresentadas em eventos. A dança é usada como uma ferramenta para atrair, acolher e observar o emocional dos alunos.

Quem pode participar? Há limite de idade?
As aulas são voltadas para crianças a partir dos 6 anos, adultos e idosos acima dos 50. As turmas são divididas conforme a faixa etária.

Quantos alunos participam, em média?
O número varia entre 10 e 35 por turma, mas há grupos que já ultrapassaram esse limite.

Você já percebeu mudanças positivas nos alunos?
Sim! Bianca afirma que a principal transformação é a alegria que a dança traz aos alunos.

Quais são os maiores desafios?
Os principais desafios são relacionados à estrutura dos locais e ao deslocamento entre comunidades. Alguns espaços não têm espelhos ou equipamentos adequados, mas nada que impeça a realização das aulas.

Você recebe algum tipo de apoio?
Sim. Bianca é contratada pela prefeitura, através de licitação pública.

Tem alguma história marcante que você guarda com carinho?
Ela lembra com emoção de uma aluna de São Domingos que perdeu um filho em um acidente e teve o outro envolvido com drogas e preso. Em depressão profunda, essa mulher foi levada por uma amiga para uma aula de dança. Com o tempo, ela relatou que a dança foi o que a tirou do fundo do poço. “Ela disse que a dança a salvou da morte”, conta Bianca.

A dança ajuda mesmo no bem-estar físico e emocional?
Sim! Para as crianças, ajuda no desenvolvimento motor. Para os idosos, melhora o equilíbrio, a flexibilidade, evita quedas e doenças cardiovasculares. Em todos os casos, há um ganho emocional enorme.

Há planos para expandir o projeto?
Bianca já atua em duas cidades e, por enquanto, pretende continuar assim. Se houver possibilidade de levar o projeto a outras cidades, ela estará aberta. Ela também comentou que sua atuação hoje é pela Assistência Social, com foco em públicos prioritários, diferente da atuação anterior, que era voltada para esportes em geral.

Como a comunidade pode ajudar a fortalecer essa iniciativa?
A principal ajuda é a divulgação. Muita gente ainda acredita que as aulas são apenas para quem tem cadastro no Bolsa Família, mas as aulas são abertas e gratuitas para toda a comunidade, sem necessidade de comprovar renda.

    A professora Bianca nos mostra que a dança pode ser muito mais do que passos bem marcados — pode ser acolhimento, alegria, saúde e até salvação. Seu trabalho é exemplo de como projetos sociais podem transformar realidades, com muito amor, empatia e música no coração.

Por: Isabelly Pereira Cella






 

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